Projeto auxilia comunidades a preservar madeira em extinção

 
Ações que tem por objetivo reduzir o impacto das atividades humanas na natureza e a conservação da biodiversidade tem ganhado uma importância cada vez maior. Em uma dessas iniciativas, a Liga Acadêmica de Ciência e Tecnologia da Madeira (LCTM), projeto de extensão do Campus VIII da Universidade do Estado do Pará (Uepa), em Marabá, promoveu um curso para os moradores de duas comunidades localizadas em áreas de preservação ambiental do município de Tucuruí.
 
Com o título Identificação de Madeiras Ameaçadas de Extinção da Amazônia: subsídio para conservação da biodiversidade florestal, o curso, realizado no início deste mês, teve como principal objetivo auxiliar os moradores a identificar, de maneira rápida, a madeira que eles utilizam no dia a dia.
 
As cinquenta famílias das comunidades de Lago de Tucuruí e João Canuto aprenderam a chamada técnica de identificação macroscópica, utilizando lupa e estilete, para poderem diferenciar que tipo de madeira poderiam ou não comercializar, uma vez que as duas comunidades são  projetos de desenvolvimento sustentável e sofrem constantemente com ações de desmatamento ilegal feita por grileiros, posseiros e madeireiros.
 
Segundo o professor Luiz Eduardo de Lima Melo, coordenador do projeto de extensão e responsável por ministrar o curso, as atividades repassadas para as comunidades são imprescindíveis na redução dos impactos gerados pela ação do homem na natureza. “Foi uma demanda que surgiu da parte de um dos líderes da comunidade. E é bom que todos comecem a ter essa conscientização ambiental”, ressaltou Luiz.
 
Raimundo Martins, presidente do assentamento João Canuto, falou sobre os benefícios que o conhecimento adquirido trouxe para todas as famílias que participaram do curso. "Nossa comunidade é um projeto de desenvolvimento sustentável e estamos buscando a regularização da área. Todos os que moram aqui precisavam dessa capacitação técnica para saber que as árvores daqui já são adaptadas ao local e que nós devemos utilizar esse tipo de recurso da natureza de maneira consciente, também pensando nas gerações futuras", afirmou Raimundo.  
 
 A discente Dáfilla de Brito está no oitavo semestre do curso de Engenharia Florestal e faz parte da Liga Acadêmica. Ela falou sobre o quão enriquecedora foi a experiência e sobre possibilidade de implantação de sistemas agroflorestais, que são formas de uso ou manejo sustentável da terra. "Quando você chega nas comunidades sofre logo um choque de realidade. Eles levam uma vida simples e mais ligada à natureza, por isso precisam dessas informações técnicas. O curso foi para além da identificação de madeira, foi sobre conexão com pessoas", concluiu Dáfila. 
 
Texto: Jean Coutinho
Fotos: Divulgação Campus Marabá