Pesquisa recebe prêmio em Congresso Internacional

 

Uma pesquisa realizada por estudantes do curso de Medicina do campus de Santarém da Universidade do Estado do Pará (Uepa) teve um trabalho premiado no I Congresso Internacional de Pesquisa e Ciência do Iespes (Instituto Esperança de Ensino Superior). A pesquisa foi realizada durante um ano pelos alunos e estuda o perfil de resistências de bactérias presentes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital.  

Perfil de Resistência Antimicrobiana dos Estafilococos Presentes nas Superfícies da UTI de um Hospital da Amazônia é o tema principal da pesquisa, que avalia o nível de contaminação por bactérias. O estudante do quarto ano de Medicina e um dos pesquisadores, Arthur Menezes, explicou todo o processo para chegar aos resultados. “Fizemos um antibiograma, que é testar os antibióticos mais comuns e que são utilizados na UTI e ver se as bactérias que estão presentes na UTI, são resistentes a ele. Pegamos as superfícies que estavam mais contaminadas, que tinham as bactérias mais perigosas, dentro dos materiais usados, como as macas onde os pacientes ficam deitados, os estetoscópios que são utilizados neles, o respirador, balança de enfermagem e etc. Colhemos o material com o cotonete e fizemos crescer as bactérias”.

O aluno explica também que depois de estar dentro do hospital, após 48 horas, todo ser humano tem bactérias pelo corpo. “Ao chegar ao hospital, as bactérias de lá começam a descolonizar. As que estão na maca, nas mãos dos profissionais de saúde, vão começar a estar também na superfície corporal, na mucosa. Podem ser infectantes, depende do grau de debilidade, da doença do paciente, se sofreu alguma lesão que deu uma porta de entrada, durante o tempo que ficou na UTI. Depende do sistema imunológico, mas depois de 48 horas qualquer bactéria adquirida é considerada uma infecção hospitalar”.

Os resultados obtidos foram alarmantes, 50% das bactérias foram multirresistente, ou seja, resistente a três ou mais classes de antimicrobianos. 38% das bactérias foram resistentes a  ancomicina, um antibiótico de ampla espectro, e no HMS, a última terapia para infecções desse gênero bacteriano. Esse grau de resistência e contaminação podia ser evitado com o uso racional da antibiótico terapia e pela simples assepsia das mãos dos profissionais e dos equipamento com álcool a 70%.

A orientadora do trabalho, professora Yane Almeida, afirma que o trabalho foi satisfatório e se orgulha dos resultados. “Fiquei orgulhosa porque um dos avaliadores era do México e gostou muito da nossa pesquisa o indica que o resultado foi bem neutro. E o que realmente foi interessante é que esse tipo de trabalho é novidade na Uepa, principalmente com alunos da Medicina, então essa área da microbiologia quase não se vê trabalhos” afirmou ela.

 

Texto: Rachel Oliveira

Foto: Divulgação