Liga Acadêmica envolve alunos em ações solidárias

 

Em meio aos diversos desafios que se apresentam durante o enfrentamento de uma pandemia, como a do novo Coronavírus, ainda há espaço para a construção de novos aprendizados e princípios. Estes, agora, dão sentido e valor a existência humana. Um deles, a solidariedade, que tomou forma, a partir de diversos projetos da Universidade do Estado do Pará (Uepa) nos últimos meses. No Campus de Marabá, por exemplo, uma das ações solidárias envolve os alunos da Liga Acadêmica de Ciência e Tecnologia da Madeira (LCTM), entidade estudantil criada em 2017, que tem desenvolvido o projeto “LCTM na linha de frente” para assistir pessoas em vulnerabilidade social.

“Nós iniciamos o ‘LCTM na linha de frente’ com uma ação solidária junto à classe dos caminhoneiros, porque nós assistimos em uma live da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que eles estavam com uma campanha chamada ‘Siga em Frente Caminhoneiro’, de arrecadação de alimentos. A partir deste fato, a nossa ideia foi levar kits de higiene e marmitex para esses profissionais tão válidos para a circulação de bens no país, sendo assim, com a ajuda da PRF nós conseguimos distribuir”, disse a discente do oitavo semestre do curso de Engenharia Florestal, Dáleth da Silva.

Após esta primeira participação, com a entrega de 70 marmitex e 60 kits de higiene, os discentes da LCTM perceberam que poderiam expandir as ações solidárias para outras camadas da população de Marabá. Deste modo, os integrantes da Liga pediram doações para a montagem de cestas básicas a ser entregues a pessoas que estavam em abrigos, vítimas das enchentes do Rio Itacaiunas, além das famílias que se encontram em vulnerabilidade social e financeira, em função da pandemia do Coronavírus.  

“Com o sucesso das primeiras ações, começamos a levar em consideração a promoção de mais ações solidárias, pois o objetivo inicial era assistir pessoas com vulnerabilidade social, prioritariamente, as vítimas das enchentes, as quais foram direcionadas a maioria das cestas, já que estas pessoas em meio a todo o caos da pandemia foram, de certa forma, obrigadas a compartilharem o mesmo espaço com diversas outras famílias, sem os devidos cuidados. Além das cestas também foram entregues máscaras e além dessas pessoas, tentamos atender famílias carentes do município”, comentou a discente do quarto semestre do curso de Engenharia Florestal, Bianca Rosário.

Até o momento, foi efetuada a entrega de 60 cestas básicas para a comunidade marabaense, com o apoio da Organização Não-Governamental Corrente Solidária Marabá/Pará. As doações ocorreram nos espaços da escola Basílio Miguel dos Santos, no abrigo Obra Kolping, e no bairro São Félix, todos situados na cidade de Marabá.

Imersão social -  As ações tiveram como objetivo colocar os integrantes da LCTM, alunos e professor, imersos nas pautas de combate ao Coronavírus, além dos problemas sociais inerentes ao município de Marabá. “Nosso objetivo inicial era atender famílias prejudicadas pela pandemia, no entanto, observamos que um dos grupos da cidade que mais estavam sendo afetados eram justamente pessoas que moravam em áreas que sofreram enchentes e que por isso tiveram que deixar suas residências para morar em abrigos da prefeitura. Para estas famílias, os reflexos da pandemia eram mais graves, então decidimos intensificar a campanha de arrecadação para conseguir doações suficientes para dividir o auxilio dado”, afirmou o coordenador da LCTM e professor do Curso de Engenharia Florestal do Campus VIII da Uepa, Luiz Eduardo Melo.

Atualmente, os discentes estão em fase de arrecadação de novos alimentos para serem entregues ao Abrigo Municipal de Idosos de Marabá, considerando esse grupo de risco no contexto da pandemia do Coronavírus. Posteriormente, serão doadas cestas básicas, Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como máscaras e kits de higienização, para famílias de indígenas venezuelanos que estão refugiadas na cidade de Marabá, acolhidas pela Casai-Funai.

“Nós, da Liga Acadêmica de Ciências e Tecnologia da Madeira (LCTM), juntamente com a Universidade estamos fazendo a arrecadação intensiva de produtos alimentícios para montagem das cestas e assim possamos atender outras realidades presentes perto de nós, tais como as dos indígenas que estão em excessiva vulnerabilidade social tal como percebemos durante as nossas reuniões da LCTM”, afirmou a discente do sexto semestre do curso de Engenharia Florestal, Danielly Macedo.

A coordenação do Campus VIII da Uepa apoia as ações promovidas pela Liga Acadêmica de Ciência e Tecnologia da Madeira (LCTM) e disponibiliza recursos e possibilidades de ação para os integrantes e o coordenador conseguirem obter o máximo de contribuições para atender ao maior número possível de pessoas da comunidade marabaense. Dessa forma, prospecta o estímulo da formação nos âmbitos acadêmico e social, preparando não somente profissionais, mas cidadãos.

Texto: Daniel Leite Jr
Fotos: Rayda Lima