Governo do Estado leva Policlínica Itinerante a Bragança

 
A mudança no perfil da Policlínica para atender pacientes com suspeita de Covid-19 deu tão certo na região metropolitana de Belém que o Governo do Pará ampliou a iniciativa para o interior do Estado. Iniciou por Santo Antônio do Tauá e Castanhal, onde mais de 2.200 atendimentos foram realizados nesses municípios. Neste sábado (23), a Policlínica itinerante chegou a Bragança, no nordeste paraense.
 
“A estratégia que nós implementamos, seja na capital ou no interior, é garantir que os pacientes com sintomas leves e moderados possam evitar o agravamento da doença. Através das medidas seja da Policlínica Itinerante ou a Metropolitana, e também das parcerias que estamos fazendo com os municípios de garantir os medicamentos, respeitando o protocolo médico, nós devemos evitar o avanço do agravamento dos sintomas da Covid-19 e, consequentemente, o risco maior para nossa população. Portanto nosso objetivo é, de maneira precoce, rápida e descentralizada, assegurar que a população paraense tenha os cuidados necessários”, afirmou Helder Barbalho. 
 
O projeto iniciou os atendimentos no interior do Estado no dia 14 de maio em Santo Antônio do Tauá, onde foram realizados 700 atendimentos. Castanhal foi a segunda cidade a receber a unidade móvel. Em quatro dias, a equipe multidisciplinar atendeu 1.500 pessoas. O objetivo do Governo do Pará, com esta ação, é dar suporte de atendimento à saúde aos municípios com os maiores números de casos de Covid-19.
 
De acordo com o coordenador de Contingência da Policlínica, Sipriano Ferraz, a meta é atender 1.700 pessoas em Bragança. “O primeiro objetivo é desafogar os prontos socorros e UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento). Atendendo os pacientes de baixa complexidade, eles podem trabalhar mais tranquilos. O segundo objetivo: quando conseguimos tratar o paciente com os sintomas iniciais, a gente consegue evitar a evolução da doença”, explicou Ferraz que também é médico.
 
A estrutura foi instalada no centro da cidade, no Liceu de Música da Uepa, e ficará por até cinco dias para atender os casos de média e baixa complexidade de Covid-19. O espaço conta com consultórios, tomógrafo para realização de exames e uma equipe formada por 40 profissionais entre médicos, biomédicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares de limpeza e segurança.
 
Assistência - Glenda Figueira é médica recém-formada. Por conta da pandemia, teve a formatura antecipada para colocar em prática a missão da profissão que escolheu: cuidar das pessoas. “Viemos para ajudar a diminuir os casos, eu estou aqui para contribuir. A gente se formou no meio de uma pandemia, mas graças a Deus, aumentaram o número de médicos com esses chamamentos para atender a população que está precisando agora”, afirmou Glenda.
 
Já Alessandra Macedo é biomédica há 11 anos e, mesmo com tanto tempo na profissão, nunca tinha vivido uma experiência como essa. “Estamos nos bastidores, ajuda 70% do diagnóstico médico. Percebemos a importância do nosso trabalho quando libera um exame de plaqueta, linfócito. Toda a equipe, todo mundo está engajado cuidando de outras famílias. Fico até emocionada porque pra a gente é muito gratificante. Saudosos das nossas famílias, mas estamos aqui para ajudar quem tem pouca orientação, isso é muito legal”, pontuou Alessandra.
 
Assim como as duas profissionais, muitos outros trabalhadores estão na linha de frente de combate ao coronavírus pelo Pará. Alguns longe de casa, viajando pelos municípios do interior com a Policlínica Itinerante levando atendimento especializado para quem precisa.
 
Valdicléia Borges, técnica de enfermagem, já passou por Santo Antônio do Tauá e Castanhal. Agora, está em Bragança. “Eu me sinto útil nesse momento por saber que muitas pessoas que simplesmente não têm recurso nenhum estão encontrando atendimento de qualidade aqui conosco. Isso para mim está sendo uma espécie de transformação, saber que de alguma forma a profissão que eu abracei está sendo mais útil do que nunca, fazendo toda a diferença. Essa é a melhor recompensa”, disse Valdicléia.
 
O auxiliar de serviços gerais, Bruno Barros, está na equipe de limpeza e mesmo longe da família, agradece por poder ajudar quem ele nem conhece. “Não tem coisa melhor do que ajudar o próximo e neste momento, o nosso esforço é muito importante. É muito gratificante a gente poder ajudar. Eu espero que consigamos percorrer muitas cidades. Dá saudade da família, mas estamos ajudando quem precisa”, falou Bruno.
 
Cuidado que Moisés Santos percebeu na Policlínica Itinerante em Bragança. O aposentado recebeu atendimento e os remédios que precisava para voltar mais tranquilo para casa. “Chegou o tempo de você saber quem ama as pessoas, e eu tô vendo que tem muita gente que ama muito o próximo, gente que está trabalhando pela gente. E estou aqui, me cuidando pela família que eu amo”, atestou o idoso.
 
Além do serviço da Policlínica Itinerante, Bragança foi contemplada com o envio de medicamentos adquiridos pelo Governo do Pará. Azitromicina, Hidroxicloroquina e Cloroquina integram o protocolo terapêutico do Ministério da Saúde para o tratamento da doença. A decisão final do uso cabe aos pacientes, a partir de prescrição do médico, que também deve informar os efeitos colaterais.
 
Cametá, na região Tocantins, será o próximo município beneficiado com a Policlínica Itinerante, neste domingo (24), com outra estrutura e equipe assistencial. Serão oferecidos exames laboratoriais básicos e, caso haja suspeita clínica, o tratamento é iniciado com as recomendações e a distribuição de medicamentos.

Texto: Tayná Horiguchi/ Ag.Pará
Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará