Bioculturalidade ganha exposição permanente no Planetário

 

Chamar a atenção da sociedade para o papel da ciência na preservação da cultura e memória dos povos é um dos objetivos da exposição Bioculturalidade, inaugurada hoje, 15, no Centro de Ciências e Planetário da Universidade do Estado do Pará (Uepa). A programação é parte da comemoração da 15ª Semana de Museus, iniciativa nacional que integra centenas de instituições pelo país e traz o tema Bioculturalidade: um diálogo entre o conhecimento tradicional e o conhecimento científico para a conservação do patrimônio biocultural.. Além da inauguração, o Planetário ofereceu aos visitantes sessões de cúpula com conteúdo especial e uma palestra acerca do assunto.

A nova exposição será permanente no espaço, e busca trazer ao debate um novo cuidado: resguardar o imenso patrimônio material e biológico presentes nas diversas comunidades do Brasil. “O incentivo à criação de coleções de material biológico e não-biológico é uma preocupação entre os pesquisadores. Não apenas catalogar o objeto pelo objeto, mas compreender que ele é parte de um contexto maior e pode ter um significado profundo dentro de uma certa cultura”, resumiu a curadora do Herbário MFS da Uepa, professora Flávia Lucas.

Aliás, ela foi a ministrante da palestra Plantas, Pessoas e Culturas: Conhecimento e Valorização da Biodiversidade Amazônica, que abriu a programação especial no Planetário. A pró-reitora de Extensão, Mariane Franco, participou do evento e ressaltou a importância de ter este debate iniciado na Instituição. “Essa palestra veio brindar a valorização do ser humano fazendo parte da ciência e ganhando espaço na pesquisa e extensão na Uepa. Melhor ainda e podermos ter alguém da própria Instituição com este currículo, como temos a professora Flávia Lucas, que atua formando e influenciando nossos alunos, os conduzindo pela prática correta e com respeito aos saberes tradicionais”, elogiou.

Em seguida, os presentes participaram a abertura oficial da nova exposição, que estará disponível para os visitantes do Centro de Ciências de forma permanente a partir de agora. “É muito importante podermos trazer para este espaço a questão dos outros saberes, articulando o conhecimento científico no contexto amazônico. Como somos um Centro muito visitado por escolas, poderemos levar esse debate até os alunos em suas fases iniciais de formação”, avaliou a diretora do Planetário, professora Sinaida Vasconcelos.

O público presente também aprovou o novo ângulo científico abraçado pelo Centro de Ciências. “Foi a primeira vez que vim ao Planetário e achei uma experiência incrível. Sou estudante de Música e trabalho com a etnomusicologia. A gente costuma sempre falar em preservação no sentido do meio ambiente, mas não tem uma compreensão profunda do significado disso”, comentou o universitário Luis Carlos Costa, de 18 anos.

As celebrações da manhã encerraram com chave de ouro: uma sessão de cúpula especial e interativa, parte de um novo projeto que vem sendo desenvolvido pela equipe do Planetário e que deve ser levado ao público geral em pouco tempo. “Ao invés de usar as apresentações do sistema, utilizamos apenas as projeções do céu, enquanto nossos técnicos fazem a explicação. Hoje será a nossa primeira experiência com essa nova proposta”, explicou o planetarista Victor Takeshi.

O tema escolhido para apresentação tem relação direta com o da Semana de Museus. “Vamos apresentar hoje um pouco da astronomia indígena, pois eles também utilizavam os astros para compreender e prever as estações, com interpretações diferentes da astronomia ocidental”, explicou Takeshi. No período da tarde, os visitantes vão poder explorar a Cúpula Kwarahy em duas sessões diferentes: às 15h30 e às 16h30.

A 15ª Semana Nacional de Museus tem como tema Museus e histórias controversas – dizer o indizível em museus. O evento ocorre anualmente em alusão ao Dia Internacional de Museus, comemorado em 18 de maio. A ocasião também coincide com a época do ano em que há o maior número de visitantes nesses estabelecimentos.

 Nessa edição, mais de mil museus de todo o país vão oferecer ao público 3 mil atividades especiais, como visitas mediadas, palestras, oficinas e exibição de filmes. Esse número revela a crescente expressividade do evento. Na primeira Semana, em 2003, foram 57 instituições envolvidas. Na última edição, realizada em 2016, foram registradas 1.236 espaços.

 

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Texto: Fernanda Martins

Fotos: Nailana Thiely